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A Lona Cultural Hermeto Pascoal, que nasceu de
uma reivindicação da comunidade de Bangu e adjacências, quando
então se mobilizaram militantes culturais, artistas, intelectuais,
voluntários em ações sócio-educativas e líderes comunitários,
tem por natureza ser um espaço democrático para fomento e
empreendimento de eventos culturais, artísticos, e sociais
acessíveis à população dessa região, carente de aparelhos
e de iniciativas com essas características. Tal proposta reza
no Estatuto da Associação de Amigos da Lona Cultural Hermeto
Pascoal (AALCHP), a qual conta com um Conselho para determinar,
orientar e fiscalizar as ações nela desenvolvidas.
Sem a parceria efetiva do poder constituído, é
óbvio que um projeto desse quilate não lograria êxito; portanto
a Prefeitura do Rio de Janeiro, que se revelou sensível ao
abraçar a causa, divide com aqueles idealizadores desse movimento
os méritos de todo o sucesso alcançado pelo Projeto Lonas
Culturais ao longo de mais de uma década.
A Lona Cultural Hermeto Pascoal é, com certeza,
o gene que deu origem ao Projeto, embora não tenha sido a
primeira a ser instalada, e, provavelmente, seja a única a
contar com a participação oficial de um grupo constituído
por artistas e militantes culturais da comunidade em que se
insere, o que lhe confere maior representatividade e condições
morais para debater e analisar a forma de atuação dos órgãos
públicos e dos gestores do espaço.
Deduz-se, assim, que a Lona Cultural Hermeto Pascoal
tem o perfil de um aparelho público que procura atender à
população no que concerne às suas necessidades de lazer associado
à cultura e ao “consumo” de artes, ora tornando possível o
acesso da comunidade a produções artísticas e culturais de
outras regiões, ora viabilizando a presença de um ídolo ou
de um grande espetáculo no seu palco ou na sua arena, ora
promovendo a produção artístico-cultural da própria localidade,
tornando sujeito agente (artistas e produtores) o povo, procurando
concretizar a máxima em que se diz “O povo sabe do que precisa,
mas também precisa do que não sabe”. E o princípio que está
sedimentado na alma da LCHP é este: “Toda deferência deve
ser dispensada no atendimento e tratamento do público e do
artista, independentemente do grau de prestígio ou sucesso
de que eles gozem, assim como do segmento artístico que representam”.
As ações da LCHP são orientadas pela máxima e
pelo princípio acima citados, com o permanente cuidado para
que ela não se desvirtue, tornando-se uma mera casa de espetáculos
que vise essencialmente ao ganho na bilheteria, ao gosto do
freqüentador mais elitizado ou de maior poder aquisitivo,
ou àquele que exerça maior pressão, ou, por fim, à visibilidade,
agendando exclusivamente eventos que contem com personalidades
que freqüentam a mídia.
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